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Os mistérios sob as águas entre Cabedelo e a Restinga

Um mapa de 1799 já mostrava a Ilha da Restinga na entrada do Rio Paraíba. Sob as águas ao redor dela, registros documentam pelo menos três naufrágios desde o século 17 — o mais antigo, de 1634.

20 de setembro de 2026 · atualizado 26 set

Os mistérios sob as águas entre Cabedelo e a Restinga
Foto: Foto: Bruno Chacon Pessoa · Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Quem passa pela orla de Cabedelo vê a Ilha da Restinga como parte da paisagem: uma faixa verde de coqueiros e mangue, bem em frente ao porto. Poucos sabem que essas águas guardam registros de naufrágios que atravessam quase quatro séculos.

Mais de dois séculos atrás, a ilha já aparecia desenhada nos mapas da entrada do Rio Paraíba. O "Plano do Porto e Rio da Paraíba", de 1799 — reproduzido no Estudo de Impacto Ambiental do Complexo Rodoviário Ponte Cabedelo–Lucena (SUDEMA), a partir do trabalho de Matheus S. Guimarães (2015) — já identifica o Forte e Porto de Cabedelo e a Ilha da Restinga como pontos de referência da entrada do rio, ao lado de Lucena e do Varadouro (atual Cidade da Paraíba).

## Três naufrágios documentados

Segundo registros cruzados a partir de arquivos da Marinha do Brasil e do Arquivo Nacional Torre do Tombo, em Lisboa, pelo menos três embarcações naufragaram nas águas a oeste da Ilha da Restinga, no chamado Canal do Forte Velho:

- **Schuppe**, um brigue holandês, em 1634 — o mais antigo dos três;

- **Psybe**, um vapor inglês, em 1852;

- uma terceira embarcação, norueguesa, naufragada em 1893.

Os destroços foram localizados em 1989 pela Associação Paraibana de Pesquisas Subaquáticas, que cruzou documentos da Marinha brasileira com registros da Torre do Tombo para identificar as três embarcações. A referência mais citada sobre o tema é o livro de Jair Miranda sobre os naufrágios do litoral paraibano.

## O que ainda não está 100% resolvido

Sobre o naufrágio de 1893, as fontes disponíveis divergem: parte dos registros chama a embarcação de "Alert", outra parte de "Albert", e há divergência até sobre se era uma barca ou um iate norueguês. Sem acesso direto ao livro de Jair Miranda ou aos arquivos originais da Marinha e da Torre do Tombo, o Descubra Cabedelo optou por não cravar esse dado como fato fechado — preferimos reconhecer a divergência a apresentar uma informação não confirmada como certeza.

Da mesma forma, não encontramos, em nenhuma das fontes consultadas, qualquer registro documentado de tesouro, carga de valor ou ouro associado a esses naufrágios. Se você já ouviu alguma história nesse sentido, ela circula como tradição oral local — não como fato histórico documentado — e é assim que deve ser tratada.

## Por que isso importa

A Restinga que a gente atravessa de barco, vê do Busto de Tamandaré ou fotografa num fim de tarde é a mesma faixa de areia que já apareceu num mapa de 1799 e que guarda, sob a água, destroços de embarcações de quatro séculos diferentes. É a cidade que a gente conhece escondendo uma camada de história que a gente não vê.

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**Fontes:** SUDEMA, EIA-RIMA do Complexo Rodoviário Ponte Cabedelo–Lucena, Volume 7 (mapa de 1799, fonte original Guimarães 2015); Wikipédia — "Ilha da Restinga" e "Anexo: Lista de naufrágios na Paraíba"; Porto de Cabedelo (localização oficial). Apuração completa, incluindo o que não pôde ser confirmado, documentada internamente pelo Descubra Cabedelo.

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